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VITAMINA A




Vitamina A — visão geral

A vitamina A é um conjunto de compostos lipossolúveis biologicamente ativos – retinol, retinal, ácido retinoico e diversos carotenóides provitamínicos (‑α e ‑β‑caroteno, β‑criptoxantina). Ela exerce funções críticas no organismo que vão da visão noturna à regulação de centenas de genes envolvidos em crescimento, imunidade e integridade epitelial.

1  Por que a vitamina A é importante?

Função

Como atua

Evidência clínica

Visão (ciclo visual)

O retinal (11‑cis‑retinal) combina‑se à opsina formando rodopsina nos bastonetes. Luz → isomerização → impulso nervoso.

Deficiência leva a nictalopia (cegueira noturna) – primeiro sinal clássico.

Saúde cutâneo‑mucosa

Ácido retinoico regula expressão de queratinas e mucinas, garantindo renovação de epitélio (pele, córnea, trato respiratório/ GI).

Carência causa xerose cutânea, hiperqueratose folicular, xerose ocular (olho seco) e risco de úlcera córnea.

Imunidade

Modulador de linfócitos T‑helper 2, diferenciação de células B e produção de IgA em mucosas.

Crianças deficientes têm maior gravidade de sarampo, diarreia e infecções respiratórias.

Crescimento e desenvolvimento

Retinoides regulam genes Hox durante organogênese e crescimento ósseo.

Deficiência severa prejudica estatura e aumenta mortalidade infantil.

Reprodução

Necessário para espermatogênese e ciclo estral normal.

Hipovitaminose pode causar infertilidade reversível em modelos animais.

Ação antioxidante

Carotenóides neutralizam espécies reativas de oxigênio (ROS).

Dietas ricas em β‑caroteno associadas a menor DPOC e degeneração macular relacionada à idade (DMRI) em estudos prospectivos.

2  Fontes alimentares

2.1 Retinoides pré‑formados (Alta biodisponibilidade; 1 RAE = 1 μg retinol)

Alimento (porção 100 g)

Vit. A (μg RAE)

Observações

Fígado bovino cozido

9 400

1 colher sopa cobre 100 % da IDR adulta.

Óleo de fígado de bacalhau

1 350 (por 5 mL)

Atenção à hipervitaminose se uso crônico.

Leite integral

68

Contribui em populações que consomem laticínios.

Ovo (gema)

149

Fácil inclusão diária.

Manteiga

684

Fonte concentrada de gordura e retinol.

2.2 Carotenóides provitamínicos (6 μg β‑caroteno ≈ 1 μg RAE)

Alimento (100 g cru)

β‑caroteno (μg)

culinário

Cenoura

8 300

Melhor absorção com azeite + cozimento leve.

Batata‑doce laranja

9 400

Ótima para purês e chips.

Abóbora‑moranga

3 100

Cremes e assados.

Couve manteiga

5 000

Refogar em óleo ↑ biodisponibilidade.

Manga

640

Smoothies e saladas tropicais.

Espinafre

5 600

β‑caroteno protegido de oxidação pela matriz verde.

Dica de biodisponibilidade: cozinhar levemente e ingerir com lipídeos (≥ 5 g gordura/refeição) pode dobrar a absorção de carotenóides.

3  Deficiência: causas, sinais e grupos de risco

3.1 Principais causas

  • Baixa ingestão dietética (regiões com insegurança alimentar ou dietas monotônicas baseadas em cereais).

  • Má absorção lipídica (doença celíaca, doença de Crohn, pancreatite crônica, pós‑bariátrica).

  • Síndrome colestática (cirrose biliar, atresia biliar).

  • Aumento das necessidades (infância, gestação, infecções recorrentes).

3.2 Sinais clínicos progressivos

  1. Cegueira noturna ➜ 2. Manchas de Bitot (placas queratinizadas conjuntiva) ➜ 3. Xerose córnea ➜ 4. Úlcera/queratomalácia ➜ 5. Cegueira irreversível.Adicionalmente: atraso de crescimento, infecções frequentes, hiperqueratose folicular.

3.3 Grupos de risco

  • Crianças < 5 anos em países de baixa renda

  • Gestantes e lactantes com dietas restritas

  • Indivíduos com alcoolismo crônico

  • Portadores de fibrose cística ou pós‑gastrectomia

4  Metabolismo & ação molecular

  1. Absorção intestinal: retinil‑ésteres são hidrolisados; retinol e carotenóides entram nos enterócitos via micelas.

  2. Esterificação & quilomícrons: retinol‑palmitato segue pela linfa → fígado (reserva principal).

  3. Transporte plasmático: fígado libera retinol ligado à retinol‑binding protein (RBP4) + transtirretina.

  4. Conversão tecidual: retinol ↔ retinal (visão) ↔ ácido retinoico (regulação gênica via receptores nucleares RAR/RXR).

  5. Excreção: conjugação biliar e urinária de ácidos retinoicos oxidativos.

Homeostase fina: níveis séricos de retinol mantidos (~ 1,0–3,0 μmol/L) até que estoques hepáticos caiam < 20 μg / g; daí surgem sintomas.

5  Recomendações e segurança

População

IDR (μg RAE/dia)

UL (tolerável)

Adulto M

900

3 000

Adulto F

700

3 000

Gestante

770

3 000

Lactante

1 300

3 000

Crianças 1–3 a

300

600–900

Hipervitaminose A (crônica > 10 000 IU/d por meses) causa hepatotoxicidade, alopecia, dor óssea e, em gestantes, teratogênese. Suplementar somente após avaliação.


RESUMO: vitamina A mantém visão, imunidade e tecidos epiteliais; combine fontes animais ricas em retinol e vegetais coloridos provitamínicos para garantir ingestão adequada, prevenindo tanto deficiência quanto o risco de toxicidade.


 
 
 

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