TREINAMENTO CONCORRENTE
- Rodolfo Scalo
- 23 de abr. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 24 de abr. de 2025

O que é treinamento concorrente?
“Treinamento concorrente” (ou concurrent training) é a prática de combinar, dentro do mesmo microciclo (semana) ou até da mesma sessão, exercícios de força (musculação, peso livre, calistênicos etc.) e endurance (corrida, bike, remo, HIIT cardiovascular). A ideia é usufruir de dois mundos: ganhar ou manter massa muscular + força e melhorar parâmetros cardiorrespiratórios, gasto calórico e saúde metabólica.
Principais implicações fisiológicas
Efeito | Por que acontece? | O que observar |
Interferência no ganho de força/hipertrofia | Após endurance, enzimas (AMPK, PGC‑1α) que sinalizam adaptações aeróbias podem inibir vias anabólicas (mTOR). | Se volume aeróbio for alto e próximo do treino de força, hipertrofia pode diminuir. |
Fadiga periférica aguda | Endurance esgota glicogênio muscular e aumenta microlesões, deixando as fibras menos responsivas ao treino de força feito em seguida. | Queda na carga ou velocidade concêntrica quando força vem depois do cardio intenso. |
Melhora na composição corporal | Endurance aumenta gasto calórico; força preserva massa magra, sustentando REE (gasto energético de repouso). | Percentual de gordura tende a cair mais do que em protocolos só de força. |
Saúde cardiovascular e metabólica | Combinação reduz pressão arterial, melhora sensibilidade à insulina e perfil lipídico. | Marcadores clínicos (HbA1c, CT/HDL) melhoram com 2–3 meses de protocol |
Estratégias práticas para minimizar a “interferência” e maximizar resultados
1. Priorize o objetivo principal no início da sessão
Meta principal é hipertrofia/força? Comece pelo treino de força, finalize com cardio moderado ou HIIT curto.
Meta principal é endurance (ex.: meia‑maratona)? Inverse: cardio primeiro, força depois focada em manutenção (2–3 sets).
2. Separe modalidades no tempo
Janela de 6–8 h entre as sessões reduz sobreposição de vias metabólicas.
Ex.: Força 07h → Cardio 18h.
Se só puder treinar uma vez/dia, segmente: Força ➜ 5–10 min pausa ativa ➜ Cardio.
3. Dose o volume aeróbio
Estudos mostram que ≤ 30 min de cardio moderado (60–70 % VO₂máx) ou ≤ 15 min de HIIT não afetam hipertrofia em iniciantes/intermediários.
Atletas avançados: avalie *TSS (Training Stress Score) < 50 para sessões cardio dentro de blocos de força.
4. Escolha modalidades aeróbias de baixo impacto muscular
Bike, elíptico ou natação geram menos dano excêntrico que corrida; menor interferência em ganhos de força nos membros inferiores.
5. Nutrição e recuperação
Carboidrato antes do cardio preserva glicogênio para a musculação subsequente.
Proteína (0,4 g/kg) logo após a sessão mista → ativa mTOR.
Sono ≥ 7 h e, se possível, 20 min de cochilo quando fizer 2 treinos/dia.
6. Periodização alinhada ao calendário
Blocos de força pura (4–6 semanas) → ênfase hipertrofia.
Blocos concorrentes (4 semanas) → manutenção força + foco cardio.
*Passos para utilizar o TSS:
1. Calcular o TSS:
Potência Normalizada (NP): O NP representa a potência média de um treino, ponderada para levar em conta as flutuações de potência ao longo do tempo.
Fator de Intensidade (IF): O IF é a relação entre a potência normalizada do treino e o Limiar Funcional de Potência (FTP) do atleta.
Duração do treino: A duração do treino em minutos ou segundos.
Fórmula: TSS = (Duração em segundos / Potência Normalizada IF) Exemplo: FTP 3600/100 watts.
2. Interpretar o TSS:
O TSS é uma medida da carga de treino, com valores mais altos indicando um treino mais exigente.
Valores de TSS podem variar dependendo da intensidade, duração e tipo de treino.
O TSS pode ser usado para comparar a carga de treino em diferentes dias e semanas, e ajustar o planejamento de acordo com as necessidades do atleta.
3. Utilizar o TSS para ajustar o treino:
O TSS pode ser usado para controlar a carga de treino e evitar o excesso de esforço, o que pode levar a lesões e fadiga.
O TSS pode ser usado para planejar a recuperação, aumentando o tempo de descanso em dias com TSS mais altos.
O TSS pode ser usado para ajustar o volume e a intensidade do treino, de acordo com o objetivo e o nível de adaptação do atleta.
Observações:
O TSS é uma ferramenta valiosa, mas deve ser usada com bom senso e em conjunto com outras métricas de treino.
O TSS pode ser calculado manualmente ou usando aplicativos de ciclismo, corrida e outros esportes de resistência.
O TSS não é uma medida absoluta de esforço, mas sim uma estimativa que pode ser ajustada com base na experiência e no conhecimento do atleta
Resumo: combine força e cardio, mas respeite ordem, intensidade e volume — assim você colhe os benefícios cardiorrespiratórios sem sacrificar hipertrofia e força, alcançando resultados sólidos.