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DOENÇA CELÍACA




Doença celíaca — visão geral rápida

Doença celíaca (DC) é uma condição autoimune crônica em que a ingestão de glúten—conjunto de proteínas presentes no trigo, centeio, cevada e todos os seus híbridos—desencadeia inflamação e atrofia das vilosidades do intestino delgado. A prevalência global gira em torno de 1 % da população, mas permanece sub‑diagnosticada; no Brasil, estudos sorológicos indicam 0,7 – 1,2 %.

1. Como diagnosticar

Etapa

Exame

Detalhes práticos

Triagem sorológica

IgA anti‑tTG (transglutaminase tecidual) + dosagem de IgA total

– Manter dieta com glúten por ≥ 4 semanas antes da coleta.


– Se deficiência de IgA, pedir IgG anti‑tTG ou IgG DGP (deamidated gliadin peptide).

Confirmação histológica

Endoscopia digestiva alta + 4‑6 biópsias de duodeno

Achado típico: atrofia vilositária grau Marsh 2‑3.

Genotipagem

HLA‑DQ2 e/ou DQ8

Ausência praticamente exclui DC (< 0,03 % sem esses alelos). Útil em casos duvidosos ou após dieta sem glúten.

Protocolos pediátricos (ESPGHAN 2024)

Se anti‑tTG ≥ 10× LSN + EMA positivo, biópsia pode ser dispensada

Reduz procedimentos invasivos em crianças.

Desafio de glúten (quando já está SG)

3–10 g glúten/dia por 6–8 semanas → repetir sorologia e, se preciso, biópsia

Deve ser supervisionado; sintomas podem ser significativos.

2. Efeitos do consumo de glúten em celíacos

2.1 Agudos (horas a dias)

Manifestação

Frequência (%)

Observações

Diarreia, distensão, cólicas

60 – 70

Pode vir com esteatorreia.

Náusea, vômitos

30 – 40

Mais comum em crianças.

Exantema/urticária (dermatite herpetiforme)

15 – 25

Lesões pruriginosas cotovelo, joelho, nádegas.

Fadiga, “brain fog”

30 – 50

Relato subjetivo frequente após “contaminação”.

2.2 Crônicos (meses a anos se ingestão contínua)

Sistema

Consequências

Mecanismo

Gastrointestinal

Má absorção crônica, perda ponderal, hipoproteinemia

Atrofia vilosa persistente.

Ósseo

Osteopenia/osteoporose ↗ fratura (RR ~1,3)

Deficiência crônica de Ca²⁺, vitamina D e inflamação sistêmica.

Hematológico

Anemia ferropriva ou megaloblástica

Má absorção de Fe, folato, B12.

Endócrino

Hipotireoidismo autoimune, DM1

Doenças associadas por predisposição HLA.

Reprodutivo

Infertilidade, abortos de repetição

Desnutrição e inflamação endometrial.

Neoplásico

Linfoma intestinal de células T (EATL) e adenocarcinoma jejunal

Risco elevado se exposição prolongada a glúten.

3. Melhores substitutos alimentares sem glúten

Grãos e pseudocereais naturalmente SG (SEM GLÚTEN)

Alimento

Proteína (g/100 g cru)

Características culinárias

Arroz integral

7,5

Base neutra; farinha p/ bolos.

Milho (fubá, polenta)

9,4

Textura cremosa; bom para pães rápidos.

Quinoa

14,1

Perfil de aa completo; boa para saladas e farinha 1:1.

Amaranto

13,6

Gelatiniza; engrossa sopas.

Trigo‑sarraceno (buckwheat)

13,3

Sabor terroso; crepes e macarrão soba SG.

Sorgo

11

Farinha leve; mistura em panificação.

Teff

13,3

Pães etíopes (injera); boa fermentação.

Aveia sem contaminação*

11,9

Necessário selo “gluten‑free” (risco de contaminação cruzada industrial).

*Aveia possui avenina, mas 95 % dos celíacos toleram; ainda requer certificação SG.

Outras fontes energéticas/práticas

  • Tubérculos: batata‑doce, mandioca (farinha de tapioca), inhame.

  • Leguminosas: grão‑de‑bico, lentilha, feijão – ótimas para farinhas.

  • Farinha de amêndoa, coco ou castanhas – agrega gordura boa e baixa carga glicêmica.


Dicas de formulação para panificação SG

  1. Blend de farinhas: 40 % arroz + 30 % sorgo + 15 % farinha de grão‑de‑bico + 15 % amido de mandioca → equilíbrio entre estrutura e maciez.

  2. Adição de hidrocoloides: psyllium (2 %) ou goma xantana (0,5 %) simulam rede de glúten.

  3. Hidratação alta (80–100 %) + fermentação prolongada melhoram textura e sabor.


RESUMO: na doença celíaca, até traços de glúten mantêm inflamação intestinal e riscos sistêmicos; diagnóstico combina sorologia + biópsia, e o tratamento é dieta 100 % sem glúten, substituindo cereais tradicionais por grãos e farinhas naturalmente livres da proteína, garantindo variedade nutricional e prazer gastronômico.

 
 
 

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